terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 Olha

Tem algo no seu cabelo

Cuidado

Pode ser perigoso

Eu te ajudo

Pronto

É só minha mão

Mas não quer soltar

Mesmo puxando com força

Tenho um plano

Deixa eu me apoiar 

Atrás de você

Nossas roupas atrapalham

O salvamento

Por isso são eliminadas

Não repare meu pau

Deslizar duro para dentro

Da sua bunda

Resgates me deixam alerta

Minha outra mão passeia

Em seus seios

Para monitorar seus batimentos

Já vai terminar

Aguente mais um pouco

Só mais um pouco

Mais

Está quase

Quase...

Pronto

Está livre, amor

Só um pouco descabelada

 Ilogicamente

Me pego

Pensando em ti

E me pego

Derretido

Gotejando

Irracionalmente desejoso

De ser sorvido

De te servir

A razão se cala

Para dar voz ao gozo

E, teimoso que sou, insisto

No tamanho absurdo

De jorrar meu leite

Sem sua boca para inundar

 Qual o sentido de te sentir,

Senão o de perder meus sentidos?

De me desnortear em nossa saliva?

De me me entorpecer em sua seiva?

Qual o sentido senão o de fora para dentro?

 De dentro para fora

Incontáveis vezes

Em você, me vejo andando em círculos

Sem mapas

Sem bússola

Sem GPS

Seus gemidos me guiam 

Para onde desejo chegar

E me perco outra vez

Apenas para, prazerosamente, 

Recalcularmos nossa rota.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Todas as Letras


Louvável seu esforço em me convencer de suas ideias
Belíssimo ver que você anda encantando a plateia
Com seu discurso pranto
Suas frases defeito
Livre e espontânea repetição
Conivente a tudo que coincidentemente
Seja condizente a qualquer coisa que me favoreça
Coerência nunca foi nossa predileção

Ontem mesmo eu disse a mim mesmo
Com todas as letras
Que aqui não voltaria tão cedo

Se por um lado o raciocínio é raso
Por outro só arranha a superfície
Quem desconhece até a ponta do iceberg
Que aceite afundar com a tripulação
E nesse jogo de letras partidárias
Decisões arbitrárias é a regra de ouro
Você pode adotar um cachorro
Eu prefiro um juiz de estimação
Então não se deixe intimidar pelo gás de pimenta
Sua opinião será levada em conta
Tolerância nunca foi nossa inclinação

A vida é dramática
Contraditória
A vida é tão ávida
Por dilemas conclusivos

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poema Raiz

Criou raiz
A velha ideia que deixei no chão
Esperando o dia de virar canção
Versos e acordes pra te ver sorrir
Do fundo da alma toda inspiração
Que deixei escapar por aí

Espalhei
Sementes ao vento sem precaução
Foi então que vi tudo que imaginei
Tomando o rumo da prosa
Sinuosa feito planta rasteira
O que brota do coração a gente cuida
Seja a bela rosa ou capim-cidreira

Nenhum sentimento se desperdiça
Todo gesto de amor vale a pena
Fiz poema da flor que nascia
Pensei que fosse poesia
As frases soltas no jardim
Mas era só erva-daninha
Pensei que fosse poesia
As frases soltas no jardim
Mas não era