quarta-feira, 30 de junho de 2010

Autorretrato

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Toda vez que o tempo fecha aqui dentro
Eu me concedo um momento pra respirar
Pode ser que o barco vire com o vento
Pode ser que ele me leve pra outro lugar

Não pretendo me colocar
Num papel secundário
Em planos que ficam para depois
Decidi me priorizar
E até que eu pense o contrário
Há de ser assim
Sem regras e sem promessas
Um ato irrevogável em mim
Até que eu mude de ideia

Eu escolhi as cores e o lugar exato
Pra redesenhar meu autorretrato
E em cada traço eu me reconheço
E sempre que desejo eu me refaço

terça-feira, 29 de junho de 2010

Anatomia de um Pensamento

Versos quase novos
Palavras repetidas
Onde me levarão?
Abraço em silêncio
A anatomia de um pensamento
Onde me levarão?

Às vezes, quase sem pensar
Me dou ao prazer de te imaginar comigo
E te encontro em minhas mãos

Delírios quase mortos
Imagens em um quarto escuro
Um filme de ficção

Às vezes, quase sem pensar
Me dou ao prazer de te imaginar comigo
Quase um sonho bom que me atinge
Como um disparo

Ainda há em mim um pouco de você
Que insiste em ser eterno
Um mal que ainda venero

O inferno que eu guardei dentro de um pensamento
O inferno que eu te dei como um presente raro

Princípio Ativo

Descompasso,
Descontrole, dissonância
Um aviso diz
Algo que não me diz nada
Uma intervenção,
Uma força percutiva
Que move minha vida
Você mexe
Com meu ritmo cardíaco

Um sorriso cínico,
Uma nova tatuagem
Que você deixou em mim
Sem minha permissão
Você não tem noção do estado que me deixa
Você não sabe o efeito dos beijos que você não dá

Minha tara é ter você em doses excessivas
Meu princípio ativo, minha cura é ter você

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Natimorto

Com o choro de minha cria
Acordo breve, sobressaltado
Estás comigo, quem diria
Apesar da mãe tê-lo negado

Em meu colo, filho querido
Te acolho com cuidado
Saiba que estás protegido
De qualquer mal imaginado

Não houve dor no parto
Nenhum gemido se deu
Esse dia sequer aconteceu

Estou sozinho no quarto
A criança que chora sou eu
Pois meu filho nunca nasceu

Soneto de Paz

Esse coração que outrora fechado
Dominado, invadido sem nem perceber
Batalha de sonhos a um ser desarmado
E a paz a teu lado por ti receber

Por um momento duelo, desejo alcançado
Venceu esta guerra cujo eu não perdi
E se em uma canção por você sou lembrado
Até no silêncio em penso em ti

O que sinto eis aqui dito
Por mãos que nada dizem
Mas se tocam e procuram

E a resposta do que escrevo
Estão em lábios que não falam
Mas se beijam e sussurram