quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Quero seu beijo em minha boca

Quero roupas ao avesso no chão

Quero amarras soltas

Quero sanha, seiva, sucção

Quero o roçar da pele nua

Quero o uivo, transpiração

Quero minha intimidade dentro da sua

Consentimento e invasão

Atrevimento e permissão

Quero que o gozo traduza

O vocábulo que a gente não usa

E que a musa de todas as fodas

Faça de nós sua inspiração

domingo, 7 de fevereiro de 2021

 Meu tempo é anacrônico

Não segue uma linha exata

Se espalha como ramas

Numa organização afetiva

Uma escala de eventos emocionais

Há séculos foi meu primeiro emprego

Meus filhos nasceram ontem

Meu saudoso pai nunca morreu

Meu primeiro beijo é randômico

Meus erros se repetem em looping

O amor, por excelência, atemporal

Meu ontem é presente

Meu agora é nostálgico

Meu futuro um reencontro

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

 Gosto do jeito

Que nossos lábios

Se conectam

Molhados

Por isso me deleito

E te saboreio

Lambendo, sugando

Roçando minha barba

Te provocando

Sem pressa

Revezando ternura

E paixão

E quando te percebo

Carente de fôlego

Nos permito

Um instante de ar

Para em seguida

Subir

E finalmente

Beijar sua boca

 Buceta

Três sílabas

Que me enchem a boca

E se me perguntar

Se sinto falta da sua

Minha resposta está

Na ponta da língua

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 Perdoa seu poeta

Juro que tento

Quando pego

Minha caneta espermográfica

Lhe escrever belos poemas

Mas tudo que sai é lambança

Perdoa seu poeta