domingo, 7 de fevereiro de 2021

 Meu tempo é anacrônico

Não segue uma linha exata

Se espalha como ramas

Numa organização afetiva

Uma escala de eventos emocionais

Há séculos foi meu primeiro emprego

Meus filhos nasceram ontem

Meu saudoso pai nunca morreu

Meu primeiro beijo é randômico

Meus erros se repetem em looping

O amor, por excelência, atemporal

Meu ontem é presente

Meu agora é nostálgico

Meu futuro um reencontro

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

 Gosto do jeito

Que nossos lábios

Se conectam

Molhados

Por isso me deleito

E te saboreio

Lambendo, sugando

Roçando minha barba

Te provocando

Sem pressa

Revezando ternura

E paixão

E quando te percebo

Carente de fôlego

Nos permito

Um instante de ar

Para em seguida

Subir

E finalmente

Beijar sua boca

 Buceta

Três sílabas

Que me enchem a boca

E se me perguntar

Se sinto falta da sua

Minha resposta está

Na ponta da língua

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 Perdoa seu poeta

Juro que tento

Quando pego

Minha caneta espermográfica

Lhe escrever belos poemas

Mas tudo que sai é lambança

Perdoa seu poeta

 Olha

Tem algo no seu cabelo

Cuidado

Pode ser perigoso

Eu te ajudo

Pronto

É só minha mão

Mas não quer soltar

Mesmo puxando com força

Tenho um plano

Deixa eu me apoiar 

Atrás de você

Nossas roupas atrapalham

O salvamento

Por isso são eliminadas

Não repare meu pau

Deslizar duro para dentro

Da sua bunda

Resgates me deixam alerta

Minha outra mão passeia

Em seus seios

Para monitorar seus batimentos

Já vai terminar

Aguente mais um pouco

Só mais um pouco

Mais

Está quase

Quase...

Pronto

Está livre, amor

Só um pouco descabelada